Associação Portuguesa das Artes e da Cultura

Encontros de Música de Castro Verde

1ª EDIÇÃO 2026
14 NOV, 20 e 21 NOV

OPUS Duo

21 novembro
21h30
Basílica Real de Castro Verde

CONCERTO

OPUS Duo

Constituído por Francisco Berény Domingues (guitarra) e Tiago Azevedo e Silvia (violoncelo), duo foi formado em 2019 e já realizou concertos em Paris, Trani (Itália), Florença (Itália), Lucerna (Suiça), e por diversos festivais em Portugal. O Duo teve a oportunidade de trabalhar com o Professor Filipe Quaresma, com o Professor Paulo Gaio Lima, com Afonso Fesh e Anja Lechner. Com uma atenção direccionada para o repertório ibérico, o duo tem vindo a trabalhar programa desde o século XX até aos dias de hoje tendo colaborado e feito encomendas a compositores portugueses como Fernando Lapa e Pedro Santos, contribuíndo para a difusão da música portuguesa em Portugal e no estrangeiro.

Através do projecto “Roteiros”, o Opus Duo pretende trazer para as salas de espetáculo um vislumbre das tradições de cada paragem do Roteiro Latino. O programa proposto convida o público a viajar pela música popular espanhola através das obras de compositores como Manuel de Falla, Enrique Granados e I. Albéniz, ao atravessar o oceano encontrar a música de Astor Piazzola com fortes influências do tango, e, subindo para o Brasil, ouvir a música de H. Villa-Lobos com claras influências da música folclórica. Por fim, o Duo regressa às suas raízes portuguesas através do compositor de Trás-os-Montes Fernando Lapa, onde apresenta obras originais para a formação guitarra e violoncelo escritas no fim do século XX e estreia nesta tour a compilação de 3 melodias tradicionais transmontanas dedicada ao Opus Duo.

As várias possibilidades de timbre, de textura e volume do violoncelo e guitarra permitem à junção de instrumentos a exploração de várias cores e sons tão presentes na música a interpretar.

NOTAS DE PROGRAMA

Granada (Serenade)

Isaac Albéniz (1860–1909)

Isaac Albéniz foi um pianista virtuoso e compositor catalão, cuja música contribuiu para afirmar uma linguagem espanhola na música de concerto europeia. Em Granada, subtitulada «Serenata», a cidade andaluza surge evocada através de uma escrita originalmente pianística, mas repleta de referências à guitarra e à canção. A melodia ampla e ornamentada, acompanhada por uma pulsação discreta, sugere uma serenata nocturna.

Dança Espanhola n.º 5 «Andaluza», Op. 37

Enrique Granados (1867–1916)

Granados foi pianista, compositor e professor, ligado à vida musical de Barcelona e à valorização de temas e estilos espanhóis. As suas Doze Danças Espanholas, escritas originalmente para piano, foram publicadas entre 1890 e 1895 e tornaram-se algumas das suas obras mais conhecidas. A quinta dança, habitualmente chamada «Andaluza», destaca-se pelo contraste entre uma melodia nostálgica e um acompanhamento de carácter rítmico. A peça é também conhecida por numerosas transcrições para outros instrumentos.

Danças Romenas

Béla Bartók (1881–1945)

Compositor húngaro, pianista e investigador de música tradicional, Bartók percorreu aldeias da Europa de Leste para recolher melodias e registar práticas musicais locais. As Danças Romenas, compostas em 1915, reúnem seis breves andamentos baseados em melodias romenas que o compositor recolheu na Transilvânia. Cada dança apresenta um carácter próprio, e a sucessão de ritmos e ambientes cria uma pequena suite de contrastes – da dança lenta e contida às passagens mais vivas e enérgicas.

Plural VIII

Fernando Lapa (n. 1950)

A presença de Fernando Lapa introduz no roteiro uma voz portuguesa contemporânea. Compositor e professor, Lapa tem escrito para diferentes formações e colaborado com intérpretes portugueses. Plural VIII, composta em 2004, foi escrita para violoncelo e guitarra: os instrumentos não se limitam a ocupar funções separadas de melodia e acompanhamento, mas partilham o material musical e exploram as possibilidades expressivas desta combinação pouco habitual. É também um ponto de encontro directo entre o percurso do Opus Duo e a criação musical portuguesa.

Bachianas Brasileiras n.º 5 — Ária (Cantilena)

Heitor Villa-Lobos (1887–1959)

Villa-Lobos foi um dos compositores brasileiros mais influentes do século XX. Violoncelista e guitarrista, desenvolveu uma linguagem própria a partir da combinação entre tradições musicais brasileiras e referências da música europeia. Nas nove Bachianas Brasileiras, esse diálogo é anunciado no próprio título: «Bachianas» evoca Johann Sebastian Bach; «Brasileiras» aponta para as raízes e sonoridades do Brasil.
A Ária (Cantilena), composta em 1938, é o primeiro andamento da quinta Bachiana Brasileira. Na versão original, foi escrita para soprano e oito violoncelos. A linha vocal, de grande fluidez, desenha uma melodia contínua sobre um acompanhamento delicado. Na interpretação do Opus Duo, guitarra e violoncelo recriam essa relação entre canto e acompanhamento através dos recursos próprios dos dois instrumentos.

Nightclub 1960

Astor Piazzolla (1921–1992)

Bandoneonista e compositor argentino, Piazzolla transformou a linguagem do tango ao aproximá-la da música de concerto e de outras correntes urbanas. Nightclub 1960 integra Histoire du Tango, uma obra originalmente escrita para flauta e guitarra que percorre diferentes épocas da história do tango. Neste andamento, o ambiente é o dos clubes nocturnos de Buenos Aires: uma música urbana, mais veloz e cosmopolita, em que o tango tradicional absorve novas harmonias e ritmos.

Song of the Birds (El cant dels ocells)

Pablo Casals (1876–1973)

Pau Casals, conhecido internacionalmente como Pablo Casals, foi um dos mais importantes violoncelistas do século XX, além de maestro, compositor e defensor da paz. El cant dels ocells é uma canção tradicional catalã que Casals adaptou para violoncelo e ajudou a divulgar internacionalmente. A peça ganhou uma dimensão simbólica especial quando a apresentou nas Nações Unidas, em 1971, como expressão de esperança e de paz. A melodia simples e contemplativa oferece um momento de recolhimento no percurso do programa.

DeliriUS

Ricardo Abreu (n. 1969)

DeliriUS faz parte da suite SuiTUs, de Ricardo Abreu, compositor cuja obra integra o repertório contemporâneo para guitarra. A peça foi escrita originalmente para guitarra solo e introduz uma mudança de textura no programa: por momentos, a guitarra deixa de estar em diálogo com o violoncelo e ocupa sozinha o primeiro plano. O título, com a sua grafia inesperada, anuncia uma página de carácter mais livre e contrastante.

La vida breve

Manuel de Falla (1876–1946)

Nascido em Cádis, Manuel de Falla foi uma das figuras centrais da música espanhola do início do século XX. A sua formação em Espanha e a estadia em Paris aproximaram-no de diferentes correntes musicais europeias, sem afastarem o seu interesse pelas tradições e ritmos espanhóis. La vida breve, composta em 1904–1905 e estreada em Nice em 1913, é uma ópera em dois actos. A música instrumental da obra – em particular a conhecida Dança Espanhola – ganhou vida própria nas salas de concerto e em transcrições para diferentes instrumentos. O excerto encerra o roteiro regressando à intensidade rítmica e à cor andaluza que atravessam o início do programa.